O seguinte trabalho consiste em uma análise por meio de revistas e artigos de uma das obras visitadas pelos estudantes de arquitetura durante a disciplina de teoria e crítica. A obra então escolhida para o trabalho foi o Teatro Oficina localizado num dos bairros mais tradicionais de São Paulo, o Bixiga. Ao longo desta abordagem serão levantadas algumas questões relevantes para a compreensão do Teatro tais como sua concepção, o projeto propriamente dito e a percepção do lugar através de imagens recentes do Oficina.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Como surgiu
Cronologia
1958 - Primeiramente, tudo não passou de uma idealização de José Celso Martinez Corrêa (atual diretor) que, juntamente com um grupo de estudantes da Escola de Direito do Largo São Francisco deram inicio as primeiras atividades da Compania Teatro Oficina.
1963 - A Compania vai para o bairro do Bixiga e permanece por lá até os dias de hoje.
1966 - Acontece um incêndio no edifício.
1967 - O Oficina retorna a suas atividades, apesar de uma série de dificuldades tanto econômicas quanto por perseguições ideológicas.
1970 e 80 - É nesse período que Lina Bo Bardi é apresentada a Compania e a partir daí ela começa a realizar a cenografia das peças e junto com sua produção cenografia nasce também a idéia de restaurar o teatro e conceber o edifício como se ele fosse uma passagem (cortando a rua Jaceguai até a rua Japurá), idéia que foi ao encontro do conceito de Te-ato que Zé Celso tanto buscava na Compania :
Concepção do Oficina
“Zé Celso parte de um conceito que ele mesmo chama de Te-ato, no qual “público e atores unem-se num encontro sensorial onde não há nada que seja deixado de fora,(...) em um rompimento dos limites e destruição das portas”.
(trecho retirado da teste de Ester Fér sobre o movimento Bexigão).
Concepção do projeto
A arquiteta interpreta a idéia de Zé Celso e elabora um projeto onde espectador e espetáculo possam transitar livremente num ambiente comum. Além disso, há a tentativa de integrar o pequeno espaço do teatro a escala do bairro propondo um teatro-estádio, público, na mesma quadra do Oficina (essa ampliação não chegou a ser feita devido a uma serie de conflitos com um grupo de empreendedores).
1958 - Primeiramente, tudo não passou de uma idealização de José Celso Martinez Corrêa (atual diretor) que, juntamente com um grupo de estudantes da Escola de Direito do Largo São Francisco deram inicio as primeiras atividades da Compania Teatro Oficina.
1963 - A Compania vai para o bairro do Bixiga e permanece por lá até os dias de hoje.
1966 - Acontece um incêndio no edifício.
1967 - O Oficina retorna a suas atividades, apesar de uma série de dificuldades tanto econômicas quanto por perseguições ideológicas.
1970 e 80 - É nesse período que Lina Bo Bardi é apresentada a Compania e a partir daí ela começa a realizar a cenografia das peças e junto com sua produção cenografia nasce também a idéia de restaurar o teatro e conceber o edifício como se ele fosse uma passagem (cortando a rua Jaceguai até a rua Japurá), idéia que foi ao encontro do conceito de Te-ato que Zé Celso tanto buscava na Compania :
Concepção do Oficina
“Zé Celso parte de um conceito que ele mesmo chama de Te-ato, no qual “público e atores unem-se num encontro sensorial onde não há nada que seja deixado de fora,(...) em um rompimento dos limites e destruição das portas”.
(trecho retirado da teste de Ester Fér sobre o movimento Bexigão).
Concepção do projeto
A arquiteta interpreta a idéia de Zé Celso e elabora um projeto onde espectador e espetáculo possam transitar livremente num ambiente comum. Além disso, há a tentativa de integrar o pequeno espaço do teatro a escala do bairro propondo um teatro-estádio, público, na mesma quadra do Oficina (essa ampliação não chegou a ser feita devido a uma serie de conflitos com um grupo de empreendedores).
Teatro como um Terreiro
No artigo publicado pela revista 2G, tem-se uma comparação de Zé Celso a respeito do teatro: o Oficina está concebido como um terreiro (lugar de celebração do culto popular afrobrasileiro do candomblé), com elementos simbólicos deste culto (cascata d’agua e o jardim sagrado no centro do palco). Essa concepção de terreiro pode ter sido influencia das raízes do Bixiga, que durante o século XVIII refugiou uma comunidade de quilombos (que deixaram como herança para o bairro um pouco da cultura africana). Além disso, o autor ainda faz outra interpretação de terreiro: como um lugar onde se vive, se planta, se colhe, cria animais e onde acontece celebrações e no teatro encontramos essas representações do nosso cotidiano.
O projeto
“...capaz de envolver toda a platéia no espetáculo o tempo todo, além de sofisticar os recursos e os níveis de interpretação do espaço cênico.” Esse comentário foi extraído do livro Zé Celso e a Oficina-Uzyna de corpos o qual o autor relata os anseios da Compania para o projeto de Lina Bo Bardi.
De acordo com o livro Teatro Oficina, o projeto consistia em deixar somente os muros de ladrilho do antigo teatro preservado, construir um cenário em rampa como uma rua, pegando toda a extensão do teatro. Essa “rua” no meio do teatro consiste em pranchas de madeira de 1,50m de largura que iriam reforçar a idéia de uma via. Dentro desse teatro não há distinção entre platéia e espetáculo, atores e espectadores, todos eles se encontram em um mesmo local. Dessa forma a idéia tradicional que se tem de teatro como caixa de sonhos como o autor cita, cai por terra e dá lugar a proposta de Lina e Edson Elito. Ao longo dos muros preservados sem encontram as arquibancadas que são também parte do palco. São estruturas de tubos metálicos desmontáveis que cobrem praticamente todo o pé direito do edifício.
Considerações finais
A sensação que se tem ao ver a imagem no interior do Oficina não é de um teatro, mas de um corredor, uma passagem improvisada. As estruturas metálicas nas laterais lembram de certa forma as escoras utilizadas quando se ergue um edifício e isso dá a idéia de que este lugar esta funcionando em uma constante reforma (ou transformação).
Como podemos ver na imagem acima, além da arquibancada e do palco há um jardim, panos de vidro, e no entorno de todo o teatro aparelhos de áudio, iluminação e vídeo. Como o espetáculo pode acontecer em qualquer lugar dentro desse ambiente a aparelhagem necessária fica espalhada, exposta aos expectadores, situação que não se vê nos teatros convencionais. É interessante notar como o Oficina foge dos padrões de teatros e o efeito que essa arquitetura inusitada provoca sobre o espetáculo. É essa proximidade que toda a parafernalha teatral tem com os expectadores traz a sensação de que eles fazem parte da peça. Tal arquitetura junto com sua historia de transformações dão um caráter único ao teatro.
Como podemos ver na imagem acima, além da arquibancada e do palco há um jardim, panos de vidro, e no entorno de todo o teatro aparelhos de áudio, iluminação e vídeo. Como o espetáculo pode acontecer em qualquer lugar dentro desse ambiente a aparelhagem necessária fica espalhada, exposta aos expectadores, situação que não se vê nos teatros convencionais. É interessante notar como o Oficina foge dos padrões de teatros e o efeito que essa arquitetura inusitada provoca sobre o espetáculo. É essa proximidade que toda a parafernalha teatral tem com os expectadores traz a sensação de que eles fazem parte da peça. Tal arquitetura junto com sua historia de transformações dão um caráter único ao teatro.
Referências Bibliograficas
BO BARDI, Lina e Edson Elito. Teatro Oficina. Lisboa: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Editorial Blau, 1999.
PIRES, Ericson. Zé Celso e a Oficina-Uzyna de corpos. São Paulo: Annablume,2005.
LIMA, Evelyn Furquim Werneck. Espaço e teatro: do edifício teatral à cidade como palco. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.
Tese de Ester Fér sobre o movimento Bexigão disponível em: teatroficina.uol.com.br/bixigao/pdfs/bexigao_tese_ester.pdf
Revista 2G, n°23-24. Editorial Gustavo Gili.- Especial Lina Bo Bardi. São Paulo.
LIMA, Evelyn Furquim Werneck. Espaço e teatro: do edifício teatral à cidade como palco. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.
Tese de Ester Fér sobre o movimento Bexigão disponível em: teatroficina.uol.com.br/bixigao/pdfs/bexigao_tese_ester.pdf
Revista 2G, n°23-24. Editorial Gustavo Gili.- Especial Lina Bo Bardi. São Paulo.
Imagens
Imagem 1 disponível em: http://www.almanaqueestacao.com.br/teatro/teatro%20oficina.htm
Imagens 2,3 e 4. BO BARDI, Lina e Edson Elito. Teatro Oficina. Lisboa: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi/ Editorial Blau, 1999. pag 17, 8 e 10 respectivamente.
Imagem 5 disponível em: leandrofinotti.blogspot.com/2009/05/linabobardi
Assinar:
Comentários (Atom)

